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OAB EXAME XXXIV

20/02/2022 · FGV · 80 questões

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Exame: OAB EXAME XXXIV - Data da prova: 02-2022 - Questão na prova: 61 - Ramo: Direito Penal - Tema: Leis Penais Especiais - Organizadora: FGV
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Rômulo, 35 anos, José, 28 anos e Guilherme, 15 anos, durante 3 (três) meses, reuniram-se, na casa da mãe do adolescente, para discutirem a prática de crimes considerados de menor potencial ofensivo. Ao descobrir o objetivo das reuniões, a mãe de Guilherme informou os fatos à autoridade policial, que instaurou procedimento investigatório. Concluídas as investigações e confirmados os fatos, o Ministério Público ofereceu denúncia, em face de Rômulo e José, pelo crime de organização criminosa com causa de aumento pelo envolvimento do adolescente. Considerando apenas as informações narradas, a defesa de Rômulo e José poderá pleitear, sob o ponto de vista técnico,

Fundamentação:

Para a consumação do crime de organização criminosa é necessário, no mínimo 04 (quatro) pessoas, conforme o artigo 1º,  parágrafo 1º, da Lei 12.850/13, a Lei de Organização Criminosa, considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.

Exame: OAB EXAME XXXIV - Data da prova: 02-2022 - Questão na prova: 62 - Ramo: Direito Penal - Tema: Da Aplicação da Lei Penal - Organizadora: FGV
62

Durante uma festa de confraternização entre amigos da faculdade, em 1º de junho de 2020, começou uma discussão entre Plinio e Carlos, tendo a mãe de Plínio procurado intervir para colocar fim à briga. Nesse momento, Carlos passou a ofender a mãe de Plinio, chamando-a de “macumbeira”, que “deveria estar em um terreiro”. Revoltadas, pessoas que presenciaram o ocorrido compareceram ao Ministério Público e narraram os fatos. A mãe de Plinio disse, em sua residência, que não pretendia manter discórdia com colegas do filho, não tendo comparecido à Delegacia e nem ao órgão ministerial para tratar do evento. O Ministério Público, em 2 de dezembro de 2020, denunciou Carlos pelo crime de racismo, trazido pela Lei nº 7.716/89. Você, como advogado(a) de Carlos, deverá alegar, em sua defesa, que deverá

Fundamentação:

Deverá ocorrer a desclassificação do crime de racismo para o delito de injúria motivada por preconceito racial e religioso. A injúria praticada com a utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência. A respeito da condição de procedibilidade, representação da vítima, o Superior tribunal de Justiça - STJ, já decidiu que quando a ação penal pública depender de representação do ofendido ou de seu representante legal, tal manifestação de vontade, condição específica de procedibilidade sem a qual é inviável a propositura do processo criminal pelo dominus litis, não exige maiores formalidades, sendo desnecessário que haja uma peça escrita nos autos do inquérito ou da ação penal com nomen iuris de representação, bastando que reste inequívoco o seu interesse na persecução penal.

Exame: OAB EXAME XXXIV - Data da prova: 02-2022 - Questão na prova: 63 - Ramo: Direito Penal - Tema: Das Penas - Organizadora: FGV
63

Joana, sob influência do estado puerperal, levanta da cama do quarto do hospital, onde estava internada após o parto, com o propósito de matar seu filho recém-nascido, que se encontrava no berçário. Aproveitando-se da distração do segurança que, ao sair para ir ao banheiro, deixara sua arma sobre a mesa no corredor, Joana pega a arma e se dirige até o vidro do berçário. Lá chegando, identifica o berço de seu filho, aponta a arma e efetua o disparo. Ocorre que, devido ao tranco da arma, Joana erra o disparo e atinge o berço onde estava o filho de Maria. Acerca do caso, é correto afirmar que Joana responderá pelo crime de

Fundamentação:

Ocorreu a hipótese de erro na execução também conhecida em provas como aberratio ictus. Aplica-se a inteligência do artigo 73 do Código Penal, que determina que nos casos em que, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no parágrafo 3º do artigo 20 deste Código Penal. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do artigo 70 do Código Penal.

Exame: OAB EXAME XXXIV - Data da prova: 02-2022 - Questão na prova: 64 - Ramo: Direito Penal - Tema: Da Aplicação da Lei Penal - Organizadora: FGV
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Lorena, em 01/01/2019, foi violentamente agredida por seu excompanheiro Manuel, em razão de ciúmes do novo relacionamento, o que teria deixado marcas em sua barriga. Policiais militares compareceram ao local dos fatos, após gritos da vítima, e encaminharam os envolvidos à Delegacia, destacando os agentes da lei que não presenciaram a briga e nem verificaram se Lorena estava ou não lesionada. Por sua vez, Lorena, que não precisou de atendimento médico, disse não ter interesse em ver o autor do fato processado, já que seria pai de suas filhas, não esclarecendo o ocorrido. Manuel, arrependido, porém, confessou a agressão na Delegacia, dizendo que desferiu um soco no estômago de Lorena, que lhe deixou marcas. A vítima foi para sua residência, sem realizar exame técnico, mas, com base na confissão de Manuel, foi o autor do fato denunciado pelo crime de lesão corporal praticada no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher (Art. 129, § 9º, do CP, na forma da Lei nº 11.340/06). Durante a instrução, foi juntada apenas a Folha de Antecedentes Criminais de Manuel, sem outras anotações, não comparecendo a vítima à audiência de instrução e julgamento. Os policiais confirmaram apenas que escutaram um grito de Lorena, não tendo presenciado os fatos. Manuel, em seu interrogatório, reitera a confissão realizada em sede policial. No momento das alegações finais, o novo advogado de Manuel, constituído após audiência, poderá pleitear

Fundamentação:

A Súmula 588 do Superior Tribunal de Justiça - STJ, dispõe que a prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. No mesmo sentido, o artigo 17 da Lei 11.340/06, a Lei que regula a violência doméstica e familiar contra a mulher, determina que é vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa. Sobre a possibilidade de Suspensão Condicional da Pena, assim decidiu o Superior Tribunal de Justiça - STJ que a jurisprudência é firme em assinalar ser possível a concessão de suspensão condicional da pena aos crimes e às contravenções penais praticados em contexto de violência doméstica, desde que preenchidos os requisitos previstos no artigo 77 do Código Penal.

Exame: OAB EXAME XXXIV - Data da prova: 02-2022 - Questão na prova: 65 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Das Questões e Processos Incidentes - Organizadora: FGV
65

Matheus está sendo investigado por suposta prática de crime de uso de documento público falso. Após representação da autoridade policial, o juiz deferiu que fosse realizada busca e apreensão na residência do investigado. Realizadas diversas diligências e concluído o procedimento investigatório, os autos foram encaminhados ao Ministério Público, ocasião em que Lúcia, promotora de justiça junto à 5ª Vara Criminal daquela mesma comarca, ofereceu denúncia imputando a Matheus a prática do crime do Art. 304 (uso de documento falso) do Código Penal. O magistrado recebeu a denúncia oferecida, e a defesa técnica de Matheus foi intimada, após citação, para a adoção das medidas cabíveis. Ocorre que o advogado de Matheus veio a tomar conhecimento que o denunciado devia R$ 2.000,00 (dois mil reais) a Lúcia, pois, em momento anterior, não havia prestado um serviço contratado e pago pela promotora de justiça. Considerando as informações narradas e de acordo com as previsões do Código de Processo Penal, o advogado de Matheus poderá

Fundamentação:

A suspeição deriva da norma esculpida no artigo 254, inciso V, do Código de Processo Penal - CPP, em que determina que o juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes, entre outros motivos, se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes. Ademais, cabe ressaltar que ao MP se estendem, no que lhes for aplicável, as prescrições relativas à suspeição e aos impedimentos dos juízes, que se encontram no artigo 258 do Código de Processo Penal - CPP.

Exame: OAB EXAME XXXIV - Data da prova: 02-2022 - Questão na prova: 66 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Prova - Organizadora: FGV
66

José, primário e de bons antecedentes, foi denunciado pela prática do crime de receptação simples (pena: 01 a 04 anos de reclusão e multa). Após ser certificado que o denunciado estava em local incerto e não sabido, foi publicado edital com objetivo de citá-lo. Mesmo após passado o prazo do edital, José não compareceu em juízo nem constituiu advogado. O magistrado, informado sobre o fato, determinou a suspensão do processo e do curso do prazo prescricional. Na mesma decisão, decretou a prisão preventiva de José, exatamente por ele não ter sido localizado para citação, além da produção de duas provas, antecipadamente: oitiva de Maria, senhora de 90 anos de idade, que se encontrava internada e com risco de falecer, e da vítima, Bruno, jovem de 22 anos, sob o fundamento de que o decurso do tempo poderia prejudicar essa oitiva e gerar esquecimento. José, dez dias após a decisão, veio a tomar conhecimento dos fatos e entrou em contato com seu advogado. Considerando apenas as informações expostas, o advogado de José deverá buscar o reconhecimento de que

Fundamentação:

A produção antecipada de prova, em relação à Maria, é válida, considerando que a mesma já é uma idosa de 90 anos. Já em relação a Bruno é ilegal, considerando que não existem motivos que justifiquem. Aplica-se, aqui, o teor da Súmula 455 do Superior Tribunal de Justiça - STJ, que determina que a decisão que determina a produção antecipada de provas com base no artigo 366 do Código de Processo Penal - CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do tempo. Já a prisão preventiva só poderá ser decretada, quando da aplicação do artigo 366 do Código de Processo Penal - CPP, nas hipóteses legais de cabimento. Ademais, o artigo 311 do Código de Processo Penal - CPP, veda qualquer tipo de prisão de ofício pelo magistrado, que diz que em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial.

Exame: OAB EXAME XXXIV - Data da prova: 02-2022 - Questão na prova: 67 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Prova - Organizadora: FGV
67

Francisco foi preso em flagrante, logo após a prática de um crime de furto qualificado, pelo rompimento de obstáculo. Agentes públicos compareceram ao local dos fatos e constataram, por meio de exame pericial, o arrombamento do fecho da janela que protegia a residência de onde os bens foram subtraídos. No interior da Delegacia, em conversa informal com a autoridade policial, Francisco confessou a prática delitiva, fato que foi registrado em gravação de áudio no aparelho celular pessoal do Delegado. Quando ouvido formalmente, preferiu exercer o direito ao silêncio que lhe foi assegurado naquele momento. Francisco, reincidente, foi denunciado, sendo juntados pelo Ministério Público, já no início da ação penal, o laudo de exame de local que constatou o arrombamento e o áudio da confissão informal encaminhado pela autoridade policial. No momento das alegações finais, o advogado de Francisco, sob o ponto de vista técnico, deverá destacar que

Fundamentação:

A confissão informal foi ilegal, tendo como única solução o desentranhamento do processo. Na jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça - STJ e Supremo Tribunal Federal – STF, para que a confissão informal seja lícita é necessário o prévio “aviso de miranda”, que é como ficaram conhecidos os chamados "Miranda Rights", de origem norte-americana, que se correlaciona com o direito fundamental do acusado a permanecer em silêncio e não produzir prova contra si mesmo (nemo tenetur se detegere), ou seja, é da menção do direito constitucional ao silêncio pela autoridade policial. Contudo, o laudo pericial é prova lícita, já que seguiu todos os procedimentos previstos em Lei.

Exame: OAB EXAME XXXIV - Data da prova: 02-2022 - Questão na prova: 68 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Prisão, das Medidas Cautelares e da Liberdade Provisória - Organizadora: FGV
68

Ricardo, motorista profissional e legalizado para transporte escolar, conduzia seu veículo de trabalho por uma rua da Comarca de Celta (MS), sendo surpreendido com a travessia repentina de Igor que conduzia uma bicicleta, vindo com isso a atropelá-lo. Igor ficou caído no chão reclamando de muita dor no peito, não conseguindo levantar-se. Ricardo, diante das reclamações de dor da vítima, e com receio de agravar o seu estado de saúde, permaneceu no local e pediu ajuda ao Corpo de Bombeiros, ligando para o número 193. A polícia militar chegou, fez o teste em Ricardo para apurar a concentração de álcool por litro de sangue, sendo 0 (zero) o resultado de miligrama de álcool. Diante da situação de flagrância, Ricardo foi preso e, no dia seguinte, levado à audiência de custódia. Igor foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros constatando-se no hospital, por exame de imagem, que a vítima havia fraturado 03 (três) costelas e o tornozelo direito, sendo operado com sucesso. Você, como advogado(a) de Ricardo, postularia

Fundamentação:

O relaxamento da prisão em flagrante ocorre em situações de ilegalidade (artigo 310, inciso I, do Código de Processo Penal - CPP). Se o juiz concluir pela ilegalidade, relaxa a prisão e determina a imediata soltura do indiciado, expedindo-se o alvará. Nesse caso, não se fixa qualquer condição.

Exame: OAB EXAME XXXIV - Data da prova: 02-2022 - Questão na prova: 69 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Dos Processos em Espécie - Organizadora: FGV
69

Ao término da instrução criminal no processo em que Irineu foi denunciado pelo crime de homicídio doloso consumado que vitimou Alberto, o advogado de Irineu teve a palavra em audiência para fazer suas alegações finais (juízo de admissibilidade da acusação). No curso do inquérito policial o Delegado de Polícia representou ao juízo competente pelo incidente de insanidade mental, cujo laudo afirmou que, na data em que o crime foi praticado, Irineu era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato. Ouvidas as testemunhas arroladas na denúncia, Roberta, cliente que estava no bar em que aconteceu o crime, declarou que Irineu tinha traços semelhantes àqueles da pessoa que efetuou o disparo de arma de fogo, mas não poderia afirmar com certeza a autoria. No mesmo sentido foi o depoimento de Laércio, que era garçom daquele estabelecimento comercial. Rui, que estava no caixa do bar, e Ana, a gerente, disseram não ter condições de reconhecer o réu. Irineu sempre negou a autoria do homicídio. Você, como advogado(a) de defesa de Irineu, em alegações finais, deve sustentar a tese de

Fundamentação:

O caso narrado pela questão trata da primeira etapa do rito do Júri, que é a fase de apreciação da admissibilidade da acusação” (judicium accusationis). A impronúncia sempre terá lugar quando o juiz julgar “inadmissível a acusação, por insuficiência de provas. Por outro lado, a pronúncia do acusado para o Tribunal do Júri terá lugar quando o magistrado julgar admissível a acusação, remetendo o caso para apreciação do Tribunal Popular. Trata-se da redação esculpida no artigo 413 do Código de Processo Penal - CPP, que determina que o juiz, fundamentadamente, pronunciará o acusado, se convencido da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação.

Exame: OAB EXAME XXXIV - Data da prova: 02-2022 - Questão na prova: 70 - Ramo: Direito do Trabalho - Tema: Remuneração e Salário - Organizadora: FGV
70

Rita trabalha, desde a contratação, das 22h às 5h, como recepcionista em um hospital. Tendo surgido uma vaga no horário diurno, a empresa pretende transferir Rita para o horário diurno. Diante disso, de acordo com o entendimento consolidado da jurisprudência do TST, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

Segundo a súmula 265 do TST, a transferência para o período diurno de trabalho implica a perda do direito ao adicional noturno e tal procedimento não implica em alteração ilícita do contrato de trabalho.