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OAB EXAME XXV

01/04/2018 · FGV · 80 questões

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Exame: OAB EXAME XXV - Data da prova: 04-2018 - Questão na prova: 61 - Ramo: Direito Penal - Tema: Da Imputabilidade Penal - Organizadora: FGV
61

Laura, nascida em 21 de fevereiro de 2000, é inimiga declarada de Lívia, nascida em 14 de dezembro de 1999, sendo que o principal motivo da rivalidade está no fato de que Lívia tem interesse no namorado de Laura. Durante uma festa, em 19 de fevereiro de 2018, Laura vem a saber que Lívia anunciou para todos que tentaria manter relações sexuais com o referido namorado. Soube, ainda, que Lívia disse que, na semana seguinte, iria desferir um tapa no rosto de Laura, na frente de seus colegas, como forma de humilhá-la. Diante disso, para evitar que as ameaças de Lívia se concretizassem, Laura, durante a festa, desfere facadas no peito de Lívia, mas terceiros intervêm e encaminham Lívia diretamente para o hospital. Dois dias depois, Lívia vem a falecer em virtude dos golpes sofridos. Descobertos os fatos, o Ministério Público ofereceu denúncia em face de Laura pela prática do crime de homicídio qualificado. Confirmados integralmente os fatos, a defesa técnica de Laura deverá pleitear o reconhecimento da

Fundamentação:

Considerando que Laura nasceu no dia 21/02/2000, verifica-se que ainda era menor de 18 anos à época do fato, que ocorreu em 19/02/2018. Dessa forma, aplicar-se-á o disposto no artigo 27 do Decreto-Lei 2.848/40, Código Penal, que dispõe que os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos à legislação da Lei 8.069/90, Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA.

Exame: OAB EXAME XXV - Data da prova: 04-2018 - Questão na prova: 62 - Ramo: Direito Penal - Tema: Das Penas - Organizadora: FGV
62

Juarez, com a intenção de causar a morte de um casal de vizinhos, aproveita a situação em que o marido e a esposa estão juntos, conversando na rua, e joga um artefato explosivo nas vítimas, sendo a explosão deste material bélico a causa eficiente da morte do casal. Apesar de todos os fatos e a autoria restarem provados em inquérito encaminhado ao Ministério Público com relatório final de indiciamento de Juarez, o Promotor de Justiça se mantém inerte em razão de excesso de serviço, não apresentando denúncia no prazo legal. Depois de vários meses com omissão do Promotor de Justiça, o filho do casal falecido procura o advogado da família para adoção das medidas cabíveis. No momento da apresentação de queixa em ação penal privada subsidiária da pública, o advogado do filho do casal, sob o ponto de vista técnico, de acordo com o Código Penal, deverá imputar a Juarez a prática de dois crimes de homicídio em

Fundamentação:

Juarez desejava a morte de dois indivíduos, praticando uma só conduta para alcançar tal finalidade. Dessa forma, aplicar-se-á a regra constante do final do artigo 70 do Decreto-Lei 2.848/40, Código Penal, do concurso formal de crimes, com aplicação da pena no cúmulo material, ou seja, com a soma das penas.

Exame: OAB EXAME XXV - Data da prova: 04-2018 - Questão na prova: 63 - Ramo: Direito Penal - Tema: Da Extinção da Punibilidade - Organizadora: FGV
63

Flávia conheceu Paulo durante uma festa de aniversário. Após a festa, ambos foram para a casa de Paulo, juntamente com Luiza, amiga de Flávia, sob o alegado desejo de se conhecerem melhor. Em determinado momento, Paulo, sem qualquer violência real ou grave ameaça, ingressa no banheiro para urinar, ocasião em que Flávia e Luiza colocam um pedaço de madeira na fechadura, deixando Paulo preso dentro do local. Aproveitando-se dessa situação, subtraem diversos bens da residência de Paulo e deixam o imóvel, enquanto a vítima, apesar de perceber a subtração, não tinha condição de reagir. Horas depois, vizinhos escutam os gritos de Paulo e chamam a Polícia. De imediato, Paulo procura seu advogado para esclarecimentos sobre a responsabilidade penal de Luiza e Flávia. Considerando as informações narradas, o advogado de Paulo deverá esclarecer que as condutas de Luiza e Flávia configuram crime de

Fundamentação:

Considerando que os agentes, em concurso de pessoas, utilizaram meio que reduziu a possibilidade de resistência da vítima, ocorrendo, portanto, roubo com violência imprópria. Configurando, portanto, hipótese de roubo majorado, artigo 157, parágrafo 2º, inciso II, do Decreto-Lei 2.848/40, Código Penal.

Exame: OAB EXAME XXV - Data da prova: 04-2018 - Questão na prova: 64 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Prisão, das Medidas Cautelares e da Liberdade Provisória - Organizadora: FGV
64

No dia 15 de maio de 2017, Caio, pai de um adolescente de 14 anos, conduzia um veículo automotor, em via pública, às 14h, quando foi solicitada sua parada em uma blitz. Após consultar a placa do automóvel, os policiais constataram que o veículo era produto de crime de roubo ocorrido no dia 13 de maio de 2017, às 09h. Diante da suposta prática do crime de receptação, realizaram a prisão e encaminharam Caio para a Delegacia. Em sede policial, a vítima do crime de roubo foi convidada a comparecer e, em observância a todas as formalidades legais, reconheceu Caio como o autor do crime que sofrera. A autoridade policial lavrou auto de prisão em flagrante pelo crime de roubo em detrimento de receptação. O Ministério Público, em audiência de custódia, manifesta-se pela conversão da prisão em flagrante em preventiva, valorizando o fato de Caio ser reincidente, conforme confirmação constante de sua Folha de Antecedentes Criminais. Quando de sua manifestação, o advogado de Caio, sob o ponto de vista técnico, deverá requerer

Fundamentação:

Considerando que ausentes os elementos que caracterizam o flagrante delito, a prisão deverá ser relaxada, conforme se verifica no artigo 302 do Decreto-Lei 3.689/41, Código de Processo Penal.

Exame: OAB EXAME XXV - Data da prova: 04-2018 - Questão na prova: 65 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Das Nulidades e dos Recursos em Geral - Organizadora: FGV
65

Luiz foi condenado, em primeira instância, pela prática de crime de homicídio qualificado em razão de recurso que dificultou a defesa da vítima. Durante seu interrogatório em Plenário, Luiz confessou a prática delitiva, mas disse que não houve recurso que dificultou a defesa da vítima, tendo em vista que ele estava discutindo com ela quando da ação delitiva. Insatisfeito com o reconhecimento da qualificadora pelos jurados, já que, diferentemente do que ocorreu em relação à autoria, não haveria qualquer prova em relação àquela, o advogado apresentou, de imediato, recurso de apelação. Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Luiz deverá buscar, em sede de recurso,

Fundamentação:

Em consonância com o disposto no artigo 593, inciso III, alínea d combinado com o parágrafo 3º do Decreto-Lei 3.689/41, Código de Processo Penal, esta deve ser a tese a ser levantada em sede de recurso, buscando-se o reconhecimento de que a decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos em relação à qualificadora, com consequente realização de nova sessão de julgamento.

Exame: OAB EXAME XXV - Data da prova: 04-2018 - Questão na prova: 66 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Do Inquérito Policial - Organizadora: FGV
66

Maria, 15 anos de idade, comparece à Delegacia em janeiro de 2017, acompanhada de seu pai, e narra que João, 18 anos, mediante grave ameaça, teria constrangido-a a manter com ele conjunção carnal, demonstrando interesse, juntamente com seu representante, na responsabilização criminal do autor do fato. Instaurado inquérito policial para apurar o crime de estupro, todas as testemunhas e João afirmaram que a relação foi consentida por Maria, razão pela qual, após promoção do Ministério Público pelo arquivamento por falta de justa causa, o juiz homologou o arquivamento com base no fundamento apresentado. Dois meses após o arquivamento, uma colega de classe de Maria a procura e diz que teve medo de contar antes a qualquer pessoa, mas em seu celular havia filmagem do ato sexual entre Maria e João, sendo que no vídeo ficava demonstrado o emprego de grave ameaça por parte deste. Maria, então, entrega o vídeo ao advogado da família. Considerando a situação narrada, o advogado de Maria

Fundamentação:

Considerando a existência de novas provas, o vídeo poderá ser apresentado à autoridade para que promova o desarquivamento do feito. Artigo 18 do Decreto-Lei 3.689/41, Código de Processo Penal e Súmula 524 do STF.

Exame: OAB EXAME XXV - Data da prova: 04-2018 - Questão na prova: 67 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Ação Penal e da Ação Civil ex delicto - Organizadora: FGV
67

Bruna compareceu à Delegacia e narrou que foi vítima de um crime de ameaça, delito este de ação penal pública condicionada à representação, que teria sido praticado por seu marido Rui, em situação de violência doméstica e familiar contra a mulher. Disse, ainda, ter interesse que seu marido fosse responsabilizado criminalmente por seu comportamento. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que ofereceu denúncia em face de Rui pela prática do crime de ameaça (Art. 147 do Código Penal, nos termos da Lei nº 11.340/06). Bruna, porém, comparece à Delegacia, antes do recebimento da denúncia, e afirma não mais ter interesse na responsabilização penal de seu marido, com quem continua convivendo. Posteriormente, Bruna e Rui procuram o advogado da família e informam sobre o novo comparecimento de Bruna à Delegacia. Considerando as informações narradas, o advogado deverá esclarecer que

Fundamentação:

Considerando que a denúncia já foi recebida, não é mais possível a renúncia à representação, nos termos do artigo 16 da Lei 11.340/06, Lei Maria da Penha. Além disso, o mesmo diploma legal dispõe, em seu artigo 41, que não são aplicáveis, aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista, os dispositivos da Lei 9.099/95, Lei dos Juizados Especiais, dentre eles, a possibilidade de suspensão condicional do processo.

Exame: OAB EXAME XXV - Data da prova: 04-2018 - Questão na prova: 68 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Das Partes no Processo - Organizadora: FGV
68

Zeca e Juca foram denunciados pela prática de crime de sequestro, figurando como vítima Vanda. Por ocasião do interrogatório, Zeca nega a autoria delitiva e diz que nem conhece Juca; já Juca alega que conhece Zeca e que somente este seria o autor do fato, declarando-se inocente. Após a instrução, o juiz profere sentença absolvendo os denunciados. No dia da publicação da sentença, Vanda e Juca procuram seus respectivos advogados e reiteram a certeza quanto à autoria delitiva de Zeca e ao interesse em intervir no processo como assistentes de acusação. Considerando apenas as informações narradas, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

Vanda, por ser vítima, poderá se habilitar como assistente de acusação, conforme estabelece o artigo 268 do Decreto-Lei 3.689/41, Código de Processo Penal. No entanto, não poderá requerer a realização de nova audiência, pois o assistente deverá assumir a causa no estado em que estiver. Artigo 269 do Código de Processo Penal.

Exame: OAB EXAME XXV - Data da prova: 04-2018 - Questão na prova: 69 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Prova - Organizadora: FGV
69

O Ministério Público ofereceu denúncia em face de Matheus, imputando-lhe a prática de um crime de estelionato. Na cota da denúncia, o Promotor de Justiça solicitou a realização de exame grafotécnico para comparar as assinaturas constantes da documentação falsa, utilizada como instrumento da prática do estelionato, com as de Matheus. Após ser citado, Matheus procura seu advogado e esclarece, em sigilo, que realmente foi autor do crime de estelionato. Considerando as informações narradas, sob o ponto de vista técnico, o advogado deverá esclarecer que Matheus

Fundamentação:

Considerando a disposição do artigo 5º, inciso LXII, da Constituição Federal e o artigo 8º, 2, alínea g) do Pacto de San José da Costa Rica, ninguém será obrigado a produzir prova contra si mesmo, sem que isso, em razão do Princípio da Presunção de Inocência (artigo 5º, inciso LVII da Constituição), seja considerado confissão.

Exame: OAB EXAME XXV - Data da prova: 04-2018 - Questão na prova: 70 - Ramo: Direito do Trabalho - Tema: Contrato de Emprego - Organizadora: FGV
70

Em março de 2015, Lívia foi contratada por um estabelecimento comercial para exercer a função de caixa, cumprindo jornada de segunda-feira a sábado das 8h às 18h, com intervalo de 30 minutos para refeição. Em 10 de março de 2017, Lívia foi dispensada sem justa causa, com aviso prévio indenizado, afastando-se de imediato. Em 30 de março de 2017, Lívia registrou sua candidatura a dirigente sindical e, em 8 de abril de 2017, foi eleita vice-presidente do sindicato dos comerciários da sua região. Diante desse fato, Lívia ponderou com a direção da empresa que não seria possível a sua dispensa, mas o empregador insistiu na manutenção da dispensa afirmando que o aviso prévio não poderia ser considerado para fins de garantia no emprego. Sobre a hipótese narrada, de acordo com a CLT e com o entendimento consolidado do TST, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

Nesses casos, embora o aviso prévio continue sendo computado para todos os fins, o TST já sumulou entendimento no sentido de ser inaplicável a regra da estabilidade do dirigente sindical prevista no parágrafo 3º do artigo 543 do Decreto-Lei 5.452/43, Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. Súmula 369 do TST.