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OAB EXAME XXIII

01/07/2017 · FGV · 80 questões

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Exame: OAB EXAME XXIII - Data da prova: 07-2017 - Questão na prova: 61 - Ramo: Direito Penal - Tema: Das Penas - Organizadora: FGV
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Caio, Mário e João são denunciados pela prática de um mesmo crime de estupro (Art. 213 do CP). Caio possuía uma condenação anterior definitiva pela prática de crime de deserção, delito militar próprio, ao cumprimento de pena privativa de liberdade. Já Mário possuía uma condenação anterior, com trânsito em julgado, pela prática de crime comum, com aplicação exclusiva de pena de multa. Por fim, João possuía condenação definitiva pela prática de contravenção penal à pena privativa de liberdade. No momento da sentença, o juiz reconhece agravante da reincidência em relação aos três denunciados. Considerando apenas as informações narradas, de acordo com o Código Penal, o advogado dos réus

Fundamentação:

A questão traz a condenação de três pessoas, sendo que uma delas praticou crime militar anteriormente, outra cometeu contravenção penal e Mário cometeu crime anterior com sentença transitada em julgado. Posto isso, nos termos dos artigos 63 e 64, inciso II, ambos do Decreto-Lei 2.848/40, Código Penal, o único que é considerado reincidente é Mário.

Exame: OAB EXAME XXIII - Data da prova: 07-2017 - Questão na prova: 62 - Ramo: Direito Penal - Tema: Dos Crimes em Espécie - Organizadora: FGV
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Catarina leva seu veículo para uma determinada entidade autárquica com o objetivo de realizar a fiscalização anual. Carlos, funcionário público que exerce suas funções no local, apesar de não encontrar irregularidades no veículo, verificando a inexperiência de Catarina, que tem apenas 19 anos de idade, exige R$ 5.000,00 para “liberar” o automóvel sem pendências. Catarina, de imediato, recusa-se a entregar o valor devido e informa o ocorrido ao superior hierárquico de Carlos, que aciona a polícia. Realizada a prisão em flagrante de Carlos, a família é comunicada sobre o fato e procura um advogado para que ele preste esclarecimentos sobre a responsabilidade penal de Carlos. Diante da situação narrada, o advogado da família de Carlos deverá esclarecer que a conduta praticada por Carlos configura, em tese, crime de

Fundamentação:

Considerando que o agente exigiu vantagem indevida, resta verificada a ocorrência do crime de concussão, previsto no artigo 316 do Decreto-Lei 2.848/40, Código Penal. O crime se deu em sua forma consumada, pois o simples ato de exigir a vantagem indevida já consuma o delito, que é considerado formal, ou seja, não depende da ocorrência do resultado (recebimento da vantagem propriamente) para sua consumação.

Exame: OAB EXAME XXIII - Data da prova: 07-2017 - Questão na prova: 63 - Ramo: Direito Penal - Tema: Das Penas - Organizadora: FGV
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Pedro, quando limpava sua arma de fogo, devidamente registrada em seu nome, que mantinha no interior da residência sem adotar os cuidados necessários, inclusive o de desmuniciá-la, acaba, acidentalmente, por dispará-la, vindo a atingir seu vizinho Júlio e a esposa deste, Maria. Júlio faleceu em razão da lesão causada pelo projétil e Maria sofreu lesão corporal e debilidade permanente de membro. Preocupado com sua situação jurídica, Pedro o procura para, na condição de advogado, orientá-lo acerca das consequências do seu comportamento. Na oportunidade, considerando a situação narrada, você deverá esclarecer, sob o ponto de vista técnico, que ele poderá vir a ser responsabilizado pelos crimes de

Fundamentação:

Deverá Pedro responder por homicídio culposo e lesão corporal culposa em concurso formal (artigo 70 do Decreto-Lei 2.848/40, Código Penal), pois com uma conduta acaba praticando dois ou mais crimes. Em relação ao crime de disparo de arma de fogo (artigo 15 da Lei 10.826/03, Estatuto do Desarmamento), ele não possui a forma culposa, razão pela qual não será processado por este tipo penal.

Exame: OAB EXAME XXIII - Data da prova: 07-2017 - Questão na prova: 64 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Ação Penal e da Ação Civil ex delicto - Organizadora: FGV
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Silva foi vítima de um crime de ameaça por meio de uma ligação telefônica realizada em 02 de janeiro de 2016. Buscando identificar o autor, já que nenhum membro de sua família tinha tal informação, requereu, de imediato, junto à companhia telefônica, o número de origem da ligação, vindo a descobrir, no dia 03 de julho de 2016, que a linha utilizada era de propriedade do ex-namorado de sua filha, Carlos, razão pela qual foi até a residência deste, onde houve a confissão da prática do crime. Quando ia ao Ministério Público, na companhia de Marta, sua esposa, para oferecer representação, Silva sofreu um infarto e veio a falecer. Marta, no dia seguinte, afirmou oralmente, perante o Promotor de Justiça, que tinha interesse em representar em face do autor do fato, assim como seu falecido marido. Diante do apelo de sua filha, Marta retorna ao Ministério Público no dia 06 de julho de 2016 e diz que não mais tem interesse na representação. Ainda assim, considerando que a ação penal é pública condicionada, o Promotor de Justiça ofereceu denúncia, no dia 07 de julho de 2016, em face de Carlos, pela prática do crime de ameaça. Considerando a situação narrada, o(a) advogado(a) de Carlos, em resposta à acusação, deverá alegar que

Fundamentação:

A retratação da representação também ocorreu de forma válida, eis que se deu antes do oferecimento da denúncia (artigo 25 do Decreto-Lei 3.689/41, Código de Processo Penal), motivo pelo qual o MP não poderia ter denunciado o infrator.

Exame: OAB EXAME XXIII - Data da prova: 07-2017 - Questão na prova: 65 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Das Nulidades e dos Recursos em Geral - Organizadora: FGV
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Mateus foi denunciado pela prática de um crime de homicídio qualificado, sendo narrado na denúncia que a motivação do crime seria guerra entre facções do tráfico. Cinco dias antes do julgamento em plenário, o Ministério Público junta ao processo a Folha de Antecedentes Criminais (FAC) do acusado, conforme requerido quando da manifestação em diligências, em que, de fato, constavam anotações referentes a processos pela prática do crime da Lei de Drogas. Apenas três dias úteis antes do julgamento, a defesa de Mateus vem a tomar conhecimento da juntada da FAC. No dia do julgamento, após a manifestação oral da defesa em plenário, indagado pelo juiz presidente sobre o interesse em se manifestar em réplica, o promotor de justiça afirma negativamente, reiterando aos jurados que as provas estão muito claras e que o réu deve ser condenado, não havendo necessidade de maiores explanações. Posteriormente, o juiz presidente nega à defesa o direito de tréplica. Mateus é condenado. Diante da situação narrada, o(a) advogado(a) de Mateus, em sede de apelação, deverá buscar

Fundamentação:

Considerando que o Ministério Público, apesar de afirmar negativamente sobre o uso da réplica, acabou reiterando aos jurados sobre as provas apresentadas e sobre a necessidade de condenação do réu. Dessa forma, entende a doutrina que houve manifestação, o que proporcionaria a defesa o direito a tréplica, o que, no caso em tela, não aconteceu. Portanto, houve nulidade do julgamento pela ausência de tréplica.

Exame: OAB EXAME XXIII - Data da prova: 07-2017 - Questão na prova: 66 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Das Nulidades e dos Recursos em Geral - Organizadora: FGV
66

Vitor, corretor de imóveis, está sendo investigado em inquérito policial. Considerando que o delegado vem atuando com abuso e colocando em risco a liberdade de Vitor, o advogado do investigado apresenta habeas corpus perante o órgão competente. Quando da análise do habeas corpus, a autoridade competente entende por denegar a ordem. Considerando as informações narradas, o advogado de Vitor poderá recorrer da decisão que denegou a ordem por meio de

Fundamentação:

Da decisão que denegou o habeas corpus, é cabível RESE (Recurso em Sentido Estrito), conforme dispõe o artigo 581, inciso X do Decreto-Lei 3.689/41, Código de Processo Penal.

Exame: OAB EXAME XXIII - Data da prova: 07-2017 - Questão na prova: 67 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Ação Penal e da Ação Civil ex delicto - Organizadora: FGV
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No dia 31 de dezembro de 2015, Leandro encontra, em uma boate, Luciana, com quem mantivera uma relação íntima de afeto, na companhia de duas amigas, Carla e Regina. Já alterado em razão da ingestão de bebida alcoólica, Leandro, com ciúmes de Luciana, inicia com esta uma discussão e desfere socos em sua face. Carla e Regina vêm em defesa da amiga, mas, descontrolado, Leandro também agride as amigas, causando lesões corporais leves nas três. Diante da confusão, Leandro e Luciana são encaminhados a uma delegacia, enquanto as demais vítimas decidem ir para suas casas. Após exame de corpo de delito confirmando as lesões leves, Luciana é ouvida e afirma expressamente que não tem interesse em ver Leandro responsabilizado criminalmente. Em relação às demais lesadas, não tiveram interesse em ser ouvidas em momento algum das investigações, mas as testemunhas confirmaram as agressões. Diante disso, o Ministério Público, em 05 de julho de 2016, oferece denúncia em face de Leandro, imputando-lhe a prática de três crimes de lesão corporal leve. Considerando apenas as informações narradas, o(a) advogado(a) de Leandro

Fundamentação:

Em relação a Luciana, não é possível a rejeição da denúncia, uma vez que devido a relação que tivera com Leandro, a conduta praticada por ele se enquadra nas situações previstas pela Lei 11.340/06, Lei Maria da Penha, sendo, portanto, ação penal pública incondicionada, definido na Súmula 542 do STJ. Todavia, em relação a Carla e Regina, considerando que já se passaram mais de 06 meses da data do fato, não se tratando de violência doméstica, operou-se a decadência, na forma do artigo 103 do Decreto-Lei 2.848/40, Código Penal.

Exame: OAB EXAME XXIII - Data da prova: 07-2017 - Questão na prova: 68 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Prisão, das Medidas Cautelares e da Liberdade Provisória - Organizadora: FGV
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Douglas responde a ação penal, na condição de preso cautelar, pela prática do crime de furto qualificado, sendo ele triplamente reincidente específico. No curso do processo, foi constatado por peritos que Douglas seria semi-imputável e que haveria risco de reiteração. O magistrado em atuação, de ofício, revoga a prisão preventiva de Douglas, entendendo que não persistem os motivos que justificaram essa medida mais grave, aplicando, porém, a medida cautelar de internação provisória, com base no Art. 319 do Código de Processo Penal. Diante da situação narrada, o advogado de Douglas poderá requerer o afastamento da cautelar aplicada, em razão

Fundamentação:

Furto qualificado é um crime que não é praticado com o emprego de violência ou grave ameaça, portanto, inaplicável a medida cautelar prevista pelo artigo 319, inciso VII do Decreto-Lei 3.689/41, Código de Processo Penal.

Exame: OAB EXAME XXIII - Data da prova: 07-2017 - Questão na prova: 69 - Ramo: Direito Processual Penal - Tema: Da Prisão, das Medidas Cautelares e da Liberdade Provisória - Organizadora: FGV
69

Paulo foi preso em flagrante pela prática do crime de corrupção, sendo encaminhado para a Delegacia. Ao tomar conhecimento dos fatos, a mãe de Paulo entra, de imediato, em contato com o advogado, solicitando esclarecimentos e pedindo auxílio para seu filho. De acordo com a situação apresentada, com base na jurisprudência dos Tribunais Superiores, deverá o advogado esclarecer que

Fundamentação:

O artigo 7º, inciso XXI da Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil dispõe sobre a possibilidade de o advogado ter acesso ao procedimento inquisitorial da esfera policial. Todavia, não será obrigatória a presença de defensor na fase do inquérito devido à natureza inquisitorial do procedimento, que não prescinde das garantias da ampla defesa e contraditório.

Exame: OAB EXAME XXIII - Data da prova: 07-2017 - Questão na prova: 70 - Ramo: Direito do Trabalho - Tema: Remuneração e Salário - Organizadora: FGV
70

Um empregado recebeu o contracheque de determinado mês com descontos, a título de contribuição confederativa e de contribuição sindical. Por não ser sindicalizado, reclama junto ao empregador contra ambas as subtrações e este encaminha o caso ao setor jurídico para análise. Diante da situação retratada, de acordo com a CLT e o entendimento consolidado do TST e do STF, assinale a afirmativa correta.

Fundamentação:

Em relação ao desconto da contribuição sindical, esta é inválida, uma vez que deve haver autorização expressa prévia autorizando o desconto, como se verifica nos artigos 578 e 579 do Decreto-Lei 5.452/43, Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, recentemente alterados pela reforma trabalhista. Já em relação à cobrança da contribuição federativa, ela prescinde da sindicalização do empregado para ser exigível, na forma da Súmula Vinculante 40 do STF.